Tabelião e vice-presidente do Colégio Notarial do Brasil, Andrey Guimarães Duarte falou sobre a digitalização dos cartórios em sua palestra no Futurecom 2022. Confira!
O Congresso aprovou recentemente uma medida provisória que obriga cartórios de registro a digitalizar o próprio acervo e oferecer serviços pela internet, como registros de imóveis, certidão de nascimento, certidão de casamento e consultas unificadas nas bases de documentos de todos os cartórios.
O texto também autoriza o uso de uma assinatura eletrônica para que as pessoas possam enviar informações na hora de realizar registros públicos pela internet. A MP estabelece ainda que os serviços terão que ser oferecidos pela internet até 31 de janeiro de 2023, e o cronograma de implementação será estabelecido pelo CNJ.
Nesta seara, o que mudará para os cidadãos e para a justiça? Além disso, como os cartórios deverão proceder em termos de infraestrutura tecnológica?
Essas foram algumas questões abordadas na palestra “A evolução dos cartórios no ambiente digital: tecnologia agregada à segurança jurídica”, apresentada por Andrey Guimarães Duarte, Tabelião e vice-presidente do Colégio Notarial do Brasil - Seção São Paulo (CNB/SP) na seção Future Jud do Futurecom 2022.
Confira neste artigo o que o especialista falou sobre o assunto!
Abrindo sua fala, Andrey falou da história dos serviços notariais, que surgiram como uma forma de registrar acordos de comércio entre as pessoas.
“Nas feiras de comércio os notários começaram a servir como redatores entre as pessoas para posteriormente servir como elemento de prova. E daí surgiu também o próprio sistema jurídico”, comentou ele.
Duarte observou que os cartórios existem em 91 países, com ⅔ da população mundial utilizando seus serviços, o que equivale a 5 bilhões de pessoas. O palestrante também apontou que 7 entre as 10 maiores economias globais utilizam os cartórios, o que representa 60% do PIB mundial registrado em serviços notariais.
Segundo ele, a tecnologia chega para somar com essa atuação dos cartórios, mas que é necessário que a legislação seja utilizada de forma segura e eficiente. Duarte explica:
“Há a necessidade da introdução de regras do uso da tecnologia para que possamos produzir o maior número de efeitos positivos para o maior número de pessoas e mitigar os efeitos negativos.”
Ele prossegue: “Mas também é lógico que essa regulamentação necessita ser equilibrada, para que você não sufoque a inovação ao mesmo tempo em que prepara a sociedade para ela.”
Falando sobre a adoção da tecnologia por parte dos cartórios, Duarte destacou alguns dos serviços que já estão em uso e que estão auxiliando os serviços notariais a se digitalizarem, trazendo benefícios para a população. Ele detalha:
“O e-Not permite que você pratique todos os atos notariais de forma eletrônica. Você pode fazer uma escritura de compra e venda, de divórcio, de separação, de inventário, ele dá uma assinatura eletrônica para cada pessoa e ela pode se manifestar através dela, ele permite a autenticação de documentos de forma eletrônica, e isso já está em andamento.”
Duarte também citou outras ferramentas, como o Censeg, que armazena todos os dados dos cartórios de notas já inseridos no mundo digital. Ele diz que tais ações são reguladas pelo Conselho Nacional de Justiça, e que através delas é possível verificar protestos e certidões, entre outros documentos.
O especialista ressaltou dados do e-Not, que tem 467 mil atos notariais eletrônicos registrados, além de 511 mil certificações digitais notarizadas. Para ele, a Medida Provisória ajudou a acelerar algo que já estava em curso no setor.
“O número de pesquisas de títulos protestados gratuitos passa de 101 milhões, ou seja, a tecnologia está sendo assimilada paulatinamente pelos cartórios, mas talvez o mote de nossa presença aqui surgiu recentemente com a medida provisória (MP) que ganhou a fama de introduzir os cartórios no meio digital”, reflete ele.
Prosseguindo a palestra, Duarte comentou que a MP surgiu com o objetivo de solucionar problemas como prazos prolongados, complexidade, custo elevado e uniformização nas ações dos cartórios.
“Essa lei trouxe algumas inovações. A primeira delas foi criar um serviço eletrônico de registro. Já existia um serviço eletrônico de registros, mas ela criou um sistema próprio, que tenta impor essa uniformização”, analisou.
Para o palestrante, a digitalização já está sendo feita nos cartórios, mas é necessário que os devidos cuidados sejam tomados de acordo com a regulamentação específica, já que o setor é responsável por grande parte das oficializações jurídicas que pautam inclusive o mundo financeiro.
“Nós estamos falando de um ambiente em que há lastro para grande parte das cadeias econômicas. O registro de imóveis é o bem utilizado para impulsionar a grande maioria de empréstimos e investimentos na área privada, porque é o bem de garantia por excelência”, analisa.
Fonte: Futurecom Digital