uis Vendramin revela os bastidores da maior transformação tecnológica da cidadania brasileira e o que CEOs podem aprender sobre liderança em tempos de IA
Luis Carlos Vendramin Júnior é presidente do Operador Nacional do Registro Civil do Brasil e coordenador do CEG – Operador Nacional do Sistema Eletrônico dos Registros Públicos do Brasil. Sua missão é coordenar a digitalização de mais de 7 mil Cartórios espalhados pelo país, garantindo que desde moradores de rua até grandes CEOs tenham acesso igualitário à tecnologia de registros públicos. Com uma visão estratégica focada na “cidadania pura”, Vendramin está liderando uma das maiores transformações digitais do setor público brasileiro, enfrentando desafios únicos que oferecem insights valiosos para qualquer executivo que busca navegar na complexidade da implementação tecnológica em larga escala.
Como você mantém a clareza estratégica quando precisa atender realidades tão diversas quanto um Cartório no interior da Amazônia e outro no centro de São Paulo?
Insight de Vendramin: “É preciso ter essa clareza dos objetivos e do caminho. Saber onde se quer chegar é tão importante quanto o caminho. Ainda mais em desafios nacionais que são tão amplos, com realidades tão diversas. A cidadania pura está na veia – todas as pessoas estão aqui, desde o morador de rua ao grande CEO.”
A genialidade dessa abordagem está na simplicidade do propósito: democratizar o acesso à tecnologia de registros públicos. Vendramin entende que quando você tem um “norte verdadeiro” claro – no caso dele, a inclusão digital universal – as decisões complexas se tornam mais simples. Para CEOs enfrentando transformações digitais, isso significa definir não apenas o “o quê” fazer, mas principalmente “para quem” fazer. A clareza do beneficiário final elimina ruídos e acelera a tomada de decisão em cenários de alta complexidade.
Com tantas possibilidades que a IA oferece, como você evita a paralisia por excesso de opções e mantém o foco no que realmente importa?
Insight de Vendramin: “Está pior agora, porque com a IA se tem mais ideias, tem mais ferramentas. Toda a janela da implementação tem muitas novas ideias. Depende muito da personalidade dos gestores para impor metodologias e ferramentas que funcionem para manter o foco.”
Vendramin identifica um paradoxo moderno: a IA, que deveria simplificar, está criando mais complexidade para líderes. A solução não está na tecnologia, mas na disciplina pessoal e metodológica. Para executivos, isso significa que o foco se tornou uma competência crítica que precisa ser sistematizada através de frameworks e processos, não deixada ao acaso. A capacidade de dizer “não” para boas ideias se tornou mais valiosa do que a capacidade de gerar ideias.
Qual é o maior equívoco que você vê executivos cometendo na implementação de IA em suas organizações?
Insight de Vendramin: “Existe uma interpretação errada de IA. Uma das coisas mais importantes é entender as micro decisões, as automações possíveis. Eu tenho visto quase apenas chatbots, não vejo workflow. São várias decisões juntas que geram grandes impactos. Quanto mais transparente se for nos processos, maior a chance de ta IA te ajudar.”
O insight revolucionário de Vendramin está em enxergar a IA não como uma ferramenta de interface, mas como um motor de decisões operacionais. Enquanto a maioria dos executivos se fascina com chatbots e interfaces conversacionais, ele foca no potencial da IA para automatizar milhares de micro decisões que, somadas, geram impactos massivos na produtividade. Isso exige uma mudança fundamental: antes de implementar IA, é preciso mapear e transparentizar processos. A IA não conserta processos ruins – ela os acelera.
Que novas habilidades um executivo de sucesso precisa desenvolver para navegar este novo cenário?
Insight de Vendramin: “Pensar mais fora da caixa, ser inquieto e, principalmente, escutar mais as pessoas.”
Estas três competências formam um tripé fundamental para a liderança moderna. “Pensar fora da caixa” não é apenas criatividade, mas a capacidade de questionar premissas estabelecidas. “Ser inquieto” significa manter uma postura de constante questionamento e melhoria. “Escutar mais as pessoas” reconhece que em um mundo de mudanças aceleradas, insights valiosos podem vir de qualquer lugar da organização.
Enquanto empresas como Amazon e Google dominam as manchetes sobre IA, a verdadeira revolução está acontecendo em setores menos glamourosos, mas fundamentais. Vendramin está liderando a digitalização de um sistema que afeta 220 milhões de brasileiros – desde certidões de nascimento até registros de óbito.
A diferença entre organizações que “usam” IA e aquelas que “são” potencializadas por IA está na capacidade de enxergar além da interface. Empresas como a Walmart não revolucionaram o varejo com chatbots, mas com IA embarcada em milhões de microdecisões de logística, precificação e estoque.
Vendramin demonstra que a metodologia OKR se torna ainda mais crítica em contextos de IA: objetivos claros permitem que a Inteligência Artificial seja direcionada para resultados específicos, não apenas para automação genérica. Sem essa clareza estratégica, a IA se torna apenas um gerador de complexidade adicional.
O trabalho de Vendramin no Operador Nacional do Registro Civil representa um laboratório único de transformação digital em escala nacional. A experiência de coordenar a modernização de mais de 7.000 Cartórios oferece lições valiosas sobre:
Um aspecto crucial do trabalho de Vendramin é a construção de nuvens privadas para proteção e uso de IA. Esta abordagem demonstra a importância de pensar em segurança e privacidade desde o início, não como uma adição posterior. Para executivos, isso significa que investimentos em infraestrutura segura de IA não são custos, mas investimentos estratégicos fundamentais.
Sua empresa está usando IA para impressionar ou para transformar microdecisões que ninguém vê, mas que definem seus resultados?
A resposta a esta pergunta determinará quais organizações prosperarão na era da Inteligência Artificial e quais ficarão para trás, fascinadas por interfaces bonitas enquanto perdem oportunidades reais de transformação.
A experiência de Luis Vendramin oferece um blueprint para executivos que enfrentam transformações complexas:
1. Mantenha clareza absoluta sobre o propósito final
2. Desenvolva disciplina metodológica para manter o foco
3. Enxergue IA como motor de micro decisões, não apenas interface
4. Cultive inquietude intelectual e capacidade de escuta
5. Invista em infraestrutura segura desde o início
Em um mundo onde a velocidade de mudança só acelera, estas lições vindas dos Cartórios brasileiros podem ser exatamente o que sua empresa precisa para navegar o futuro com sucesso.
Fonte: ONRCPN