{"id":22787,"date":"2021-03-01T13:35:31","date_gmt":"2021-03-01T16:35:31","guid":{"rendered":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/?p=22787"},"modified":"2021-03-01T13:35:33","modified_gmt":"2021-03-01T16:35:33","slug":"herdeiro-nao-depende-de-registro-formal-da-partilha-do-imovel-para-propor-extincao-do-condominio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/herdeiro-nao-depende-de-registro-formal-da-partilha-do-imovel-para-propor-extincao-do-condominio\/","title":{"rendered":"Herdeiro n\u00e3o depende de registro formal da partilha do im\u00f3vel para propor extin\u00e7\u00e3o do condom\u00ednio"},"content":{"rendered":"\n<p>O registro formal de partilha de im\u00f3vel ap\u00f3s a senten\u00e7a em processo de invent\u00e1rio \u2013 o chamado registro translativo \u2013 n\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para o ajuizamento de a\u00e7\u00e3o de divis\u00e3o ou de extin\u00e7\u00e3o do condom\u00ednio por qualquer um dos herdeiros. O motivo \u00e9 que o registro, destinado a produzir efeitos em rela\u00e7\u00e3o a terceiros e viabilizar os at\u200bos de disposi\u00e7\u00e3o dos bens, n\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel para comprovar a propriedade \u2013 que \u00e9 transferida aos herdeiros imediatamente ap\u00f3s a abertura da sucess\u00e3o (<em>saisine<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>O entendimento foi fixado pela Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) ao reformar ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJSP) que concluiu que a a\u00e7\u00e3o de extin\u00e7\u00e3o de condom\u00ednio dependeria do pr\u00e9vio registro da partilha no cart\u00f3rio de im\u00f3veis, como forma de comprovar a propriedade do bem.<\/p>\n\n\n\n<p>Na a\u00e7\u00e3o que deu origem ao recurso, o juiz julgou procedente o pedido, extinguiu o condom\u00ednio e determinou a venda de im\u00f3veis que anteriormente foram objeto da heran\u00e7a, sendo que o total recebido deveria ser partilhado entre os cond\u00f4minos, na propor\u00e7\u00e3o de seus respectivos quinh\u00f5es. A senten\u00e7a foi reformada pelo TJSP, que extinguiu a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Indivisibilidade ap\u00f3s partilha<\/h2>\n\n\n\n<p>A relatora do recurso especial, ministra Nancy Andrighi, apontou que, nos termos do princ\u00edpio da&nbsp;<em>saisine<\/em>, com o falecimento, todos os herdeiros se tornaram copropriet\u00e1rios do todo unit\u00e1rio chamado heran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, a magistrada destacou a diferen\u00e7a da quest\u00e3o debatida nos autos, pois, embora tenha havido a transfer\u00eancia inicial da propriedade aos herdeiros, ocorreram tamb\u00e9m a prola\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a e a expedi\u00e7\u00e3o do termo formal de partilha na a\u00e7\u00e3o de invent\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a relatora, essa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 relevante, pois, de acordo com o artigo 1.791, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo Civil de 2002, at\u00e9 a partilha, o direito dos coerdeiros, quanto \u00e0 propriedade e \u00e0 posse da heran\u00e7a, \u00e9 indivis\u00edvel e regulado pelas normas relativas ao condom\u00ednio \u2013 o que sugeriria, em sentido contr\u00e1rio, que, ap\u00f3s a partilha, n\u00e3o haveria mais que se falar em indivisibilidade, tampouco em condom\u00ednio ou em transfer\u00eancia&nbsp;<em>causa mortis<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Conquanto essa interpreta\u00e7\u00e3o resolva de imediato uma parcela significativa de situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se pode olvidar que h\u00e1 hip\u00f3teses em que a indivisibilidade dos bens permanecer\u00e1 mesmo ap\u00f3s a partilha, atribuindo-se aos herdeiros, ao t\u00e9rmino do invent\u00e1rio, apenas fra\u00e7\u00f5es ideais dos bens, como, por exemplo, se n\u00e3o houver consenso acerca do modo de partilha ou se o acervo contiver bem de dif\u00edcil reparti\u00e7\u00e3o&#8221;, explicou a ministra.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Copropriedade<\/h2>\n\n\n\n<p>Nessas hip\u00f3teses, Nancy Andrighi destacou que h\u00e1 transfer\u00eancia imediata de propriedade da heran\u00e7a aos herdeiros e, ap\u00f3s a partilha, \u00e9 estabelecida a copropriedade dos herdeiros sobre as fra\u00e7\u00f5es ideais dos bens que n\u00e3o puderem ser imediatamente divididos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em consequ\u00eancia, a ministra concluiu que o pr\u00e9vio registro translativo no cart\u00f3rio de im\u00f3veis, com a anota\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o de copropriedade sobre as fra\u00e7\u00f5es ideais dos herdeiros \u2013 e n\u00e3o mais, portanto, a copropriedade sobre o todo da heran\u00e7a \u2013, &#8220;n\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>sine qua non<\/em>&nbsp;para o ajuizamento de a\u00e7\u00e3o de divis\u00e3o ou de extin\u00e7\u00e3o do condom\u00ednio por qualquer deles&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao reformar o ac\u00f3rd\u00e3o do TJSP, em raz\u00e3o da aus\u00eancia de manifesta\u00e7\u00e3o sobre pontos da controv\u00e9rsia nas contrarraz\u00f5es do recurso especial, a relatora concluiu que as quest\u00f5es levantadas pelos recorridos na apela\u00e7\u00e3o e que n\u00e3o foram examinadas pelo tribunal paulista tamb\u00e9m n\u00e3o poderiam ser conhecidas pelo STJ, pois foram atingidas pela preclus\u00e3o. Assim, a Terceira Turma restabeleceu integralmente a senten\u00e7a que declarou a extin\u00e7\u00e3o do condom\u00ednio.<\/p>\n\n\n\n<p>Leia o&nbsp;<a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ITA&amp;sequencial=2014427&amp;num_registro=201900559755&amp;data=20201218&amp;formato=PDF\"><strong>ac\u00f3rd\u00e3o<\/strong><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O registro formal de partilha de im\u00f3vel ap\u00f3s a senten\u00e7a em processo de invent\u00e1rio \u2013 o chamado registro translativo \u2013 n\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para o ajuizamento de a\u00e7\u00e3o de divis\u00e3o ou de extin\u00e7\u00e3o do condom\u00ednio por qualquer um dos herdeiros. 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