{"id":22969,"date":"2021-04-15T14:45:59","date_gmt":"2021-04-15T17:45:59","guid":{"rendered":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/?p=22969"},"modified":"2021-04-15T14:46:02","modified_gmt":"2021-04-15T17:46:02","slug":"protecao-do-credor-e-de-terceiros-justifica-registro-de-protesto-contra-alienacao-de-bem-de-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/protecao-do-credor-e-de-terceiros-justifica-registro-de-protesto-contra-alienacao-de-bem-de-familia\/","title":{"rendered":"Prote\u00e7\u00e3o do credor e de terceiros justifica registro de protesto contra aliena\u00e7\u00e3o de bem de fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"\n<p>A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) definiu que \u00e9 poss\u00edvel a averba\u00e7\u00e3o de protesto contra a aliena\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel classificado como bem de fam\u00edlia \u2013 n\u00e3o para impedir a venda do im\u00f3vel impenhor\u00e1vel, mas para informar terceiros de boa-f\u00e9 sobre a pretens\u00e3o do credor, especialmente na hip\u00f3tese de futuro afastamento da prote\u00e7\u00e3o contra a penhora.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a decis\u00e3o, o colegiado manteve ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJSP) que, no \u00e2mbito de execu\u00e7\u00e3o em que n\u00e3o foram localizados bens penhor\u00e1veis, deferiu a averba\u00e7\u00e3o do protesto, em car\u00e1ter informativo, na matr\u00edcula de im\u00f3vel protegido pela&nbsp;<strong><a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8009.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Lei 8.009\/1990<\/strong><\/a><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o credor, o protesto seria necess\u00e1rio para resguardar os seus direitos futuros, bem como para alertar compradores em potencial do im\u00f3vel familiar. Sustentou que, em caso de morte da devedora, ele poder\u00e1 ser habilitado no esp\u00f3lio, possibilitando impedir a aliena\u00e7\u00e3o de bens antes do pagamento do d\u00e9bito.<\/p>\n\n\n\n<p>A devedora, em recurso especial contra a decis\u00e3o do TJSP, alegou que n\u00e3o existe direito do credor ao protesto, pois ele n\u00e3o poderia executar o im\u00f3vel, tendo em vista a impenhorabilidade assegurada pelo artigo 10 da Lei 8.009\/1990.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Preven\u00e7\u00e3o de lit\u00edgios<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O relator do recurso, ministro Antonio Carlos Ferreira, lembrou que a Segunda Se\u00e7\u00e3o, no julgamento do&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ITA&amp;sequencial=934971&amp;num_registro=200100437575&amp;data=20091215&amp;peticao_numero=-1&amp;formato=PDF\"><strong>EREsp 185.645<\/strong><\/a><\/strong>, considerou que a averba\u00e7\u00e3o cartor\u00e1ria de protesto contra aliena\u00e7\u00e3o de bem est\u00e1 dentro do poder geral de cautela do juiz (artigo 798 do C\u00f3digo de Processo Civil de 1973) e \u00e9 justific\u00e1vel pela necessidade de dar conhecimento do protesto a terceiros, prevenindo lit\u00edgios e preju\u00edzos para eventuais compradores.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o magistrado, a inser\u00e7\u00e3o dessa informa\u00e7\u00e3o no registro p\u00fablico do im\u00f3vel tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de prevenir poss\u00edvel aliena\u00e7\u00e3o fraudulenta. &#8220;A medida n\u00e3o impede a disposi\u00e7\u00e3o do bem, mas obsta que terceiro adquirente possa alegar boa-f\u00e9, no caso de futura demanda judicial envolvendo o im\u00f3vel&#8221;, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m com base em precedentes do STJ, o ministro destacou que o protesto contra a aliena\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e dois requisitos: que a pretens\u00e3o do interessado no protesto seja leg\u00edtima e que o protesto n\u00e3o impe\u00e7a a realiza\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cio l\u00edcito.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Situa\u00e7\u00e3o f\u00e1tica<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Em seu voto, Antonio Carlos Ferreira ressaltou que a impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia nada mais \u00e9 do que uma garantia jur\u00eddica que incide sobre uma situa\u00e7\u00e3o f\u00e1tica: a moradia familiar. No entanto, os fatos podem ser modificados por v\u00e1rias raz\u00f5es, como o recebimento de heran\u00e7a, a compra de um segundo im\u00f3vel ou a mudan\u00e7a de resid\u00eancia da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Assim, ao perder a qualidade de bem de fam\u00edlia, a venda posterior do im\u00f3vel com registro de protesto contra aliena\u00e7\u00e3o de bens pode, numa an\u00e1lise casu\u00edstica, configurar fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o&#8221;, enfatizou o relator.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao manter o ac\u00f3rd\u00e3o do TJSP, o ministro ponderou que, embora o protesto possa ter reflexos negativos para a devedora, a publicidade da pretens\u00e3o futura de penhora do bem \u00e9 essencial para a prote\u00e7\u00e3o de terceiros de boa-f\u00e9 e a preserva\u00e7\u00e3o do direito do credor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esta not\u00edcia refere-se ao(s)&nbsp;processo(s):<\/strong><strong><a href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=REsp%201236057\">REsp 1236057<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte: STJ<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) definiu que \u00e9 poss\u00edvel a averba\u00e7\u00e3o de protesto contra a aliena\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel classificado como bem de fam\u00edlia \u2013 n\u00e3o para impedir a venda do im\u00f3vel impenhor\u00e1vel, mas para informar terceiros de boa-f\u00e9 sobre a pretens\u00e3o do credor, especialmente na hip\u00f3tese de futuro afastamento da prote\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":22788,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[698,55,47],"tags":[],"class_list":["post-22969","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-home-2","category-noticia","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22969"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22969"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22969\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22970,"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22969\/revisions\/22970"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22788"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22969"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22969"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22969"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}