{"id":52806,"date":"2022-02-09T12:34:35","date_gmt":"2022-02-09T15:34:35","guid":{"rendered":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/?p=52806"},"modified":"2022-02-09T12:34:38","modified_gmt":"2022-02-09T15:34:38","slug":"imovel-unico-adquirido-no-curso-da-execucao-pode-ser-considerado-bem-de-familia-impenhoravel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/imovel-unico-adquirido-no-curso-da-execucao-pode-ser-considerado-bem-de-familia-impenhoravel\/","title":{"rendered":"Im\u00f3vel \u00fanico adquirido no curso da execu\u00e7\u00e3o pode ser considerado bem de fam\u00edlia impenhor\u00e1vel"},"content":{"rendered":"\n<p>O im\u00f3vel adquirido no curso da demanda executiva pode ser considerado bem de fam\u00edlia, para fins de impenhorabilidade. Com essa decis\u00e3o, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) confirmou ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJSP) que proibiu a penhora do \u00fanico im\u00f3vel de devedores com comprovada resid\u00eancia no local, mesmo tendo sido adquirido no curso da execu\u00e7\u00e3o, por consider\u00e1-lo bem de fam\u00edlia legal.<\/p>\n\n\n\n<p>No recurso especial apresentado ao STJ, o credor sustentou a impossibilidade de reconhecimento da impenhorabilidade do im\u00f3vel, porque o bem teria sido adquirido depois de proferida decis\u00e3o judicial que declarou o executado devedor. Apontou que o bem de fam\u00edlia, no caso concreto, foi institu\u00eddo por ato de vontade do executado e que, nesse caso, a impenhorabilidade sobre o im\u00f3vel \u00e9 limitada, valendo, t\u00e3o somente, em rela\u00e7\u00e3o a d\u00edvidas futuras, posteriores \u00e0 institui\u00e7\u00e3o convencional.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Institui\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria do bem de fam\u00edlia<\/h2>\n\n\n\n<p>O relator, ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, explicou que o bem de fam\u00edlia volunt\u00e1rio ou convencional \u00e9 aquele cuja destina\u00e7\u00e3o decorre da vontade do seu instituidor, visando a prote\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o for\u00e7ada das d\u00edvidas do devedor propriet\u00e1rio do bem.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O C\u00f3digo Civil confere ao titular da propriedade a possibilidade de escolha do bem eleito, colocando como condi\u00e7\u00e3o de validade apenas a circunst\u00e2ncia de que o bem escolhido n\u00e3o tenha valor que ultrapasse um ter\u00e7o do patrim\u00f4nio l\u00edquido existente no momento da afeta\u00e7\u00e3o&#8221;, destacou o relator.<\/p>\n\n\n\n<p>A jurisprud\u00eancia do STJ, segundo Salom\u00e3o, entende que a legitimidade da escolha do bem destinado \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8009.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Lei 8.009\/1990<\/strong><\/a>, feita com prefer\u00eancia pela fam\u00edlia, deve ser confrontada com o restante do patrim\u00f4nio existente, sobretudo quando este, de um lado, se mostra incapaz de satisfazer eventual d\u00edvida do devedor, mas de outro atende perfeitamente \u00e0s necessidades de manuten\u00e7\u00e3o e sobreviv\u00eancia do organismo familiar (<a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ITA&amp;sequencial=727779&amp;num_registro=200600844513&amp;data=20080805&amp;formato=PDF\"><strong>REsp 831.811<\/strong><\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>O magistrado pontuou, ainda, a distin\u00e7\u00e3o entre o bem de fam\u00edlia volunt\u00e1rio e o regime legal: o bem de fam\u00edlia convencional deve ser institu\u00eddo por escritura p\u00fablica ou testamento, devidamente registrados no Cart\u00f3rio de Registro de Im\u00f3veis; o bem de fam\u00edlia legal ou involunt\u00e1rio institui-se automaticamente, bastando a propriedade do bem e sua utiliza\u00e7\u00e3o como resid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">D\u00edvidas constitu\u00eddas anteriormente<\/h2>\n\n\n\n<p>Luis Felipe Salom\u00e3o explicou que, no caso analisado, &#8220;s\u00f3 o fato de ser o im\u00f3vel residencial bem \u00fanico do recorrido, sobre ele, necessariamente, incidir\u00e3o as normas da Lei 8.009\/1990, mormente a impenhorabilidade questionada pelo exequente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o magistrado, ainda que se tratasse, nos termos alegados pelo recorrente, de im\u00f3vel voluntariamente institu\u00eddo como bem de fam\u00edlia, considerando que se trata de \u00fanico bem im\u00f3vel do executado, a prote\u00e7\u00e3o conferida pela Lei 8.009\/1990 subsistiria, de maneira coincidente e simult\u00e2nea, e, nessa extens\u00e3o, seria capaz de preservar o bem da penhora de d\u00edvidas constitu\u00eddas anteriormente \u00e0 institui\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque, no entender do relator, a prote\u00e7\u00e3o vem do regime legal e n\u00e3o do regime convencional. &#8220;No caso que se analisa, o im\u00f3vel adquirido pelo executado apenas n\u00e3o receberia a prote\u00e7\u00e3o da Lei 8.009\/1990 caso o devedor possu\u00edsse outro im\u00f3vel, de valor inferior e nele tamb\u00e9m residisse&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele completou que, por se tratar de d\u00edvidas anteriores \u00e0 hipot\u00e9tica institui\u00e7\u00e3o convencional, seria permitida a penhora do im\u00f3vel residencial de maior valor, mas o im\u00f3vel residencial de menor valor seria resguardado, incidindo sobre ele as normas protetivas da Lei 8.009\/1990.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao negar provimento ao recurso especial, Salom\u00e3o registrou n\u00e3o haver ind\u00edcios de que a aquisi\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel tenha caracterizado fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o. &#8220;Sendo assim, no caso em exame, a partir do delineamento f\u00e1tico posto pelo ac\u00f3rd\u00e3o, tenho que fora adequadamente aplicado o direito, devendo ser mantida a decis\u00e3o de impenhorabilidade do bem&#8221;, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: STJ<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O im\u00f3vel adquirido no curso da demanda executiva pode ser considerado bem de fam\u00edlia, para fins de impenhorabilidade. 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