{"id":7369,"date":"2018-05-15T17:29:22","date_gmt":"2018-05-15T20:29:22","guid":{"rendered":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/?p=7369"},"modified":"2018-05-15T17:29:22","modified_gmt":"2018-05-15T20:29:22","slug":"testemunha-que-mentir-em-acao-trabalhista-pode-pegar-ate-4-anos-de-cadeia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/testemunha-que-mentir-em-acao-trabalhista-pode-pegar-ate-4-anos-de-cadeia\/","title":{"rendered":"Testemunha que mentir em a\u00e7\u00e3o trabalhista pode pegar at\u00e9 4 anos de cadeia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 raro, mas uma testemunha que mente em um depoimento durante um processo trabalhista pode ser presa. A pena pode ser pris\u00e3o de at\u00e9 quatro anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi o que aconteceu na ter\u00e7a-feira (8) com duas pessoas que testemunhavam a favor de uma empresa de log\u00edstica na Justi\u00e7a do Trabalho em Campo Largo (PR), na regi\u00e3o metropolitana de Curitiba. O juiz respons\u00e1vel pelo caso decretou a pris\u00e3o de ambas em flagrante por mentirem em seus depoimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A empresa era acusada por um de seus funcion\u00e1rios, um caminhoneiro, de exigir viagens superiores a 12 horas por dia e de fazer parte do pagamento por fora, em comiss\u00f5es que vinham sendo reduzidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As testemunhas afirmaram durante a audi\u00eancia n\u00e3o haver comiss\u00f5es, mas um \u00e1udio apresentado pelo funcion\u00e1rio mostrou uma conversa em que os pagamentos eram acertados com os empregados, e o desencontro de informa\u00e7\u00f5es levou o juiz \u00e0 decis\u00e3o pela pris\u00e3o em flagrante por suposto falso testemunho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mentir perante a Justi\u00e7a \u00e9 um ato grave e tem puni\u00e7\u00f5es que v\u00e3o de multas a pris\u00e3o, mas elas variam e h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para que as condena\u00e7\u00f5es se concretizem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00f3 testemunhas podem ser presas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferentemente do que acontece na Justi\u00e7a norte-americana e que vemos nos filmes de Hollywood, em que todos juram perante a corte dizer &#8220;a verdade e somente a verdade&#8221;, no Brasil, esta \u00e9 uma exig\u00eancia feita apenas das testemunhas. Nas leis brasileiras, prevalece o entendimento de que os indiv\u00edduos t\u00eam o direito de n\u00e3o produzirem provas contra si mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Aqui, as partes n\u00e3o prestam o compromisso de falar a verdade, por isso muitas vezes nem s\u00e3o ouvidos os depoimentos de funcion\u00e1rios e da empresa&#8221;, diz a advogada trabalhista Maria L\u00facia Benhame, s\u00f3cia-fundadora da Benhame Sociedade de Advogados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O falso testemunho, ou perj\u00fario, est\u00e1 previsto no C\u00f3digo Penal e \u00e9 considerado um crime contra a Justi\u00e7a, com pena de dois a quatro anos de reclus\u00e3o, al\u00e9m de multa, para a testemunha que fizer uma afirma\u00e7\u00e3o falsa, negar ou omitir uma informa\u00e7\u00e3o que seja verdadeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As mesmas regras valem ainda para peritos, contadores, tradutores e int\u00e9rpretes que tamb\u00e9m estejam envolvidos no processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Como est\u00e1 no C\u00f3digo Penal, o crime de perj\u00fario \u00e9 um pressuposto que vale para qualquer Justi\u00e7a, e n\u00e3o s\u00f3 para a do Trabalho&#8221;, afirma Maria L\u00facia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Autor e r\u00e9u est\u00e3o sujeitos a multa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como o C\u00f3digo Penal menciona apenas os casos de depoimentos falsos feitos pelas testemunhas e pelos outros profissionais envolvidos em uma a\u00e7\u00e3o, tanto o r\u00e9u quando o indiv\u00edduo que entra com o processo n\u00e3o se enquadram na lei e, portanto, n\u00e3o est\u00e3o sujeitos a essa pena de pris\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, o C\u00f3digo de Processo Civil (CPC) e agora tamb\u00e9m o novo texto das leis trabalhistas preveem a chamada &#8220;litig\u00e2ncia de m\u00e1 f\u00e9&#8221;, situa\u00e7\u00e3o em que os envolvidos atuam propositalmente contra o bom andamento do processo e que inclui mentir ao longo das etapas do processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando comprovada, a infra\u00e7\u00e3o est\u00e1 sujeita a multa que varia de 1% a 10% do valor total da a\u00e7\u00e3o, percentual a ser decidido de acordo com a gravidade pelo juiz respons\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria L\u00facia diz, por\u00e9m, que, apesar de n\u00e3o estarem sujeitos ao crime de falso testemunho, r\u00e9u e autor da a\u00e7\u00e3o podem se encaixar em outros artigos do C\u00f3digo Penal, como o de falsidade ideol\u00f3gica ou documental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 o que acontece quando o funcion\u00e1rio usa um atestado m\u00e9dico falso para conseguir um benef\u00edcio indevido ou estabilidade no trabalho, por exemplo&#8221;, diz a advogada. Nesses casos, a pris\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m uma das penas previstas, e pode chegar a cinco anos de reclus\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dificuldade em provar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de haver as puni\u00e7\u00f5es previstas em lei para aqueles que mentem perante a Justi\u00e7a, os casos de multa e, principalmente, de pris\u00e3o s\u00e3o bem raros de acontecer dentro de processos trabalhistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O juiz do caso de Campo Largo, por exemplo, que decretou a pris\u00e3o em flagrante das duas testemunhas da empresa, afirmou em sua decis\u00e3o ter recorrido a esse tipo de senten\u00e7a apenas tr\u00eas vezes em seus 13 anos de carreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;S\u00e3o fatos muitas vezes dif\u00edceis de serem provados, e isso acaba dificultando a condena\u00e7\u00e3o&#8221;, diz o advogado J\u00falio Mendes, da Mascaro Nascimento Advocacia Trabalhista. Nas pris\u00f5es de Campo Largo, foi s\u00f3 a grava\u00e7\u00e3o apresentada pelo empregado que fez a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c1udios, e-mails, telas de conversas em aplicativos do celular, v\u00eddeos e fotos do ambiente de trabalho s\u00e3o alguns dos materiais que Mendes menciona como itens que valem o trabalhador recolher e que servem como provas no tribunal. Eles complementam outros materiais fornecidos pela pr\u00f3pria empresa, como contrato e cart\u00e3o de ponto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte: <a href=\"https:\/\/economia.uol.com.br\/noticias\/redacao\/2018\/05\/15\/testemunha-mentir-acao-trabalhista-prisao.htm?utm_medium=social-media&amp;utm_content=geral&amp;utm_source=twitter&amp;utm_campaign=uol\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">UOL<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 raro, mas uma testemunha que mente em um depoimento durante um processo trabalhista pode ser presa. A pena pode ser pris\u00e3o de at\u00e9 quatro anos. Foi o que aconteceu na ter\u00e7a-feira (8) com duas pessoas que testemunhavam a favor de uma empresa de log\u00edstica na Justi\u00e7a do Trabalho em Campo Largo (PR), na regi\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13873,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[55,47],"tags":[],"class_list":["post-7369","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticia","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7369"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7369"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7369\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13873"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7369"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7369"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7369"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}