{"id":83985,"date":"2022-08-26T16:10:38","date_gmt":"2022-08-26T19:10:38","guid":{"rendered":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/?p=83985"},"modified":"2022-08-26T16:10:39","modified_gmt":"2022-08-26T19:10:39","slug":"imovel-de-instituicao-financeira-em-liquidacao-extrajudicial-nao-e-passivel-de-usucapiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/imovel-de-instituicao-financeira-em-liquidacao-extrajudicial-nao-e-passivel-de-usucapiao\/","title":{"rendered":"Im\u00f3vel de institui\u00e7\u00e3o financeira em liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial n\u00e3o \u00e9 pass\u00edvel de usucapi\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu que o im\u00f3vel de propriedade de institui\u00e7\u00e3o financeira que se encontra em regime de liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial \u00e9 insuscet\u00edvel de&nbsp;usucapi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o teve origem em a\u00e7\u00e3o de&nbsp;usucapi\u00e3o&nbsp;proposta por dois autores contra institui\u00e7\u00e3o financeira em processo de liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial, sob a alega\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 mais de nove anos ocupavam de forma mansa, pac\u00edfica e incontestada o bem pertencente \u00e0 empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>Na primeira inst\u00e2ncia, o pedido foi negado ao fundamento de que a decreta\u00e7\u00e3o da liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial, com a consequente indisponibilidade dos bens da institui\u00e7\u00e3o, determinada pelo&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/L6024.htm#art36\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 36 da Lei 6.024\/1974<\/strong><\/a>&nbsp;para a prote\u00e7\u00e3o dos interesses dos credores, impede a flu\u00eancia do prazo da&nbsp;usucapi\u00e3o. A decis\u00e3o foi mantida pelo Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJSP).<\/p>\n\n\n\n<p>No STJ, os autores da a\u00e7\u00e3o sustentaram que a indisponibilidade de que trata a Lei 6.024\/1974&nbsp;atingiria apenas o devedor e alegaram, ainda, que a suspens\u00e3o a que se refere&nbsp;a legisla\u00e7\u00e3o alcan\u00e7aria somente os prazos prescricionais das obriga\u00e7\u00f5es da liquidanda, de modo que n\u00e3o se poderia falar em impossibilidade de&nbsp;usucapi\u00e3o&nbsp;em virtude da liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Situa\u00e7\u00e3o da liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial \u00e9 semelhante \u00e0 da fal\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p>A relatoria foi do ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva. Segundo o magistrado, a Terceira Turma j\u00e1 se pronunciou em caso an\u00e1logo que envolvia a pretens\u00e3o de reconhecimento de&nbsp;usucapi\u00e3o&nbsp;de im\u00f3vel que compunha a massa falida, \u00e0 luz da antiga Lei de Fal\u00eancias (Decreto-Lei 7.661\/1945).<\/p>\n\n\n\n<p>Ele destacou que, naquela ocasi\u00e3o, o colegiado entendeu que o curso da&nbsp;prescri\u00e7\u00e3o&nbsp;aquisitiva da propriedade de bem que comp\u00f5e a massa falida \u00e9 interrompido com a decreta\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia, pois o possuidor (seja ele o falido ou terceiros) perde a posse pela incurs\u00e3o do Estado na sua esfera jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Na liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial de institui\u00e7\u00e3o financeira, a exemplo do que ocorre no processo falimentar, cujas disposi\u00e7\u00f5es contidas na Lei de Fal\u00eancias t\u00eam aplica\u00e7\u00e3o subsidi\u00e1ria por for\u00e7a do&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/L6024.htm#art34\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo 34 da Lei 6.024\/1974<\/strong><\/a>, ocorre a forma\u00e7\u00e3o de um concurso universal para o qual concorrem todos os credores, e no qual se procura garantir-lhes um tratamento igualit\u00e1rio na satisfa\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos, por interm\u00e9dio de seu patrim\u00f4nio remanescente unificado&#8221;, esclareceu.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio da liquidanda \u00e9 essencial para futura satisfa\u00e7\u00e3o dos credores<\/h2>\n\n\n\n<p>Cueva ponderou que o acolhimento do pedido na a\u00e7\u00e3o de&nbsp;usucapi\u00e3o&nbsp;acarreta perda patrimonial imediata, ou seja, perda da propriedade do im\u00f3vel, gerando enorme preju\u00edzo para os credores.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Permitir o curso ou o ajuizamento de a\u00e7\u00f5es de&nbsp;usucapi\u00e3o&nbsp;ap\u00f3s a decreta\u00e7\u00e3o da liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial acabaria por permitir o esvaziamento do patrim\u00f4nio da institui\u00e7\u00e3o financeira&nbsp;em detrimento dos credores&#8221;, afirmou o magistrado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto destacado pelo relator \u00e9 que a aquisi\u00e7\u00e3o da propriedade pela via da&nbsp;usucapi\u00e3o&nbsp;pressup\u00f5e a in\u00e9rcia do propriet\u00e1rio em reaver o bem. No caso da liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial, o ministro salientou que n\u00e3o se pode atribuir in\u00e9rcia ao titular do dom\u00ednio que, a partir da decreta\u00e7\u00e3o da medida, n\u00e3o conserva mais todas as faculdades inerentes \u00e0 propriedade: usar, fruir e dispor livremente da coisa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/julgamento\/eletronico\/documento\/mediado\/?documento_tipo=integra&amp;documento_sequencial=154698247&amp;registro_numero=201902890802&amp;peticao_numero=&amp;publicacao_data=20220526&amp;formato=PDF\"><strong>Leia o ac\u00f3rd\u00e3o do<\/strong>&nbsp;<strong>REsp&nbsp;<\/strong><strong>1.876.058<\/strong><\/a><strong>.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu que o im\u00f3vel de propriedade de institui\u00e7\u00e3o financeira que se encontra em regime de liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial \u00e9 insuscet\u00edvel de&nbsp;usucapi\u00e3o. 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