{"id":86203,"date":"2023-09-04T09:15:42","date_gmt":"2023-09-04T12:15:42","guid":{"rendered":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/?p=86203"},"modified":"2023-09-04T09:15:58","modified_gmt":"2023-09-04T12:15:58","slug":"stf-e-justica-do-trabalho-travam-guerra-sobre-terceirizacao-ou-vinculo-de-emprego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/stf-e-justica-do-trabalho-travam-guerra-sobre-terceirizacao-ou-vinculo-de-emprego\/","title":{"rendered":"STF e Justi\u00e7a do Trabalho travam &#8216;guerra&#8217; sobre terceiriza\u00e7\u00e3o ou v\u00ednculo de emprego"},"content":{"rendered":"\n<p>Nos \u00faltimos meses, o\u00a0Supremo Tribunal Federal e a Justi\u00e7a do Trabalho t\u00eam divergido frequentemente na pol\u00eamica sobre\u00a0terceiriza\u00e7\u00f5es, pejotiza\u00e7\u00f5es e outros tipos de contrato de trabalho n\u00e3o regidos pela CLT. Ministros da Corte Constitucional v\u00eam\u00a0<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2023-ago-08\/alexandre-revoga-decisao-reconheceu-vinculo-medica-hospital\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">anulando<\/a>\u00a0muitas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2023-ago-19\/nunes-marques-anula-decisao-reconheceu-vinculo-terceirizada\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">decis\u00f5es<\/a>\u00a0de tribunais trabalhistas que reconhecem o v\u00ednculo de emprego em situa\u00e7\u00f5es do tipo.<\/p>\n\n\n\n<p>Decis\u00f5es monocr\u00e1ticas recentes de magistrados do Supremo validaram, por exemplo, contratos n\u00e3o celetistas entre motoristas e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2023-set-01\/stf-cassa-decisao-declarou-vinculo-emprego-motorista\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">empresas de transporte<\/a>&nbsp;ou&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2023-jul-26\/stf-suspende-acao-reconheceu-vinculo-empregaticio-entre-motorista-app\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">plataformas intermediadoras<\/a>. Outro caso comum \u00e9 o da rela\u00e7\u00e3o entre escrit\u00f3rios e&nbsp;advogados&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2023-mai-31\/stf-cassa-decisao-reconheceu-vinculo-emprego-autonoma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aut\u00f4nomos<\/a>&nbsp;ou&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2023-jun-13\/alexandre-anula-reconhecimento-vinculo-advogada-escritorio\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">associados<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tais decis\u00f5es s\u00e3o tomadas em reclama\u00e7\u00f5es constitucionais e se baseiam principalmente no&nbsp;<a href=\"http:\/\/portal.stf.jus.br\/jurisprudenciaRepercussao\/verAndamentoProcesso.asp?incidente=4952236&amp;numeroProcesso=958252&amp;classeProcesso=RE&amp;numeroTema=725\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">julgamento de repercuss\u00e3o geral&nbsp;que reconheceu<\/a>&nbsp;a possibilidade de&nbsp;terceiriza\u00e7\u00e3o ou qualquer outra forma de divis\u00e3o do trabalho entre pessoas jur\u00eddicas distintas, independentemente do objeto social.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reclama\u00e7\u00f5es e mais reclama\u00e7\u00f5es<\/strong><br>O professor e advogado trabalhista&nbsp;<strong>Ricardo Calcini<\/strong>, s\u00f3cio diretor do escrit\u00f3rio&nbsp;Calcini Advogados, destaca que o sistema jur\u00eddico atual &#8220;possibilita o acesso muito r\u00e1pido e f\u00e1cil ao STF, via reclama\u00e7\u00e3o constitucional, com um custo irris\u00f3rio&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se nada mudar em termos de entendimento do STF, em breve a reclama\u00e7\u00e3o constitucional ser\u00e1 o instrumento mais recorrente em Bras\u00edlia, prejudicando o trabalho da Suprema Corte em se debru\u00e7ar nas causas de maior interesse do pa\u00eds&#8221;, assinala Calcini.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Jos\u00e9 Roberto Dantas Oliva<\/strong>, advogado e juiz do Trabalho aposentado, concorda que &#8220;est\u00e1 se alargando demasiadamente a via estreita da reclama\u00e7\u00e3o, que estava se tornando suced\u00e2neo de recurso&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, tais reclama\u00e7\u00f5es s\u00e3o movidas indevidamente, em casos nos quais a Justi\u00e7a do Trabalho n\u00e3o invalidou a terceiriza\u00e7\u00e3o ou outras formas de divis\u00e3o de trabalho entre pessoas jur\u00eddicas, mas apenas reconheceu a fraude nessas rela\u00e7\u00f5es. Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 desrespeito \u00e0 jurisprud\u00eancia do STF.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Soberania da Justi\u00e7a do Trabalho<\/strong><br>&#8220;A compet\u00eancia \u2014 exclusiva \u2014 para decidir sobre isso sempre foi do Judici\u00e1rio Trabalhista&#8221;, ressalta Oliva. &#8220;Se&nbsp;para&nbsp;chegar a um resultado desses&nbsp;o juiz do Trabalho teve de analisar incidentalmente uma rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica subjacente, declarando-a fraudulenta,&nbsp;nada muda.&nbsp;Se o pedido \u00e9 de reconhecimento da natureza empregat\u00edcia do v\u00ednculo, ele \u00e9 o \u00fanico juiz competente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A vis\u00e3o do magistrado aposentado \u00e9 semelhante \u00e0 da advogada trabalhista&nbsp;<strong>Fab\u00edola Marques<\/strong>, s\u00f3cia do&nbsp;escrit\u00f3rio Abud e Marques Sociedade de Advogadas e professora da PUC-SP. &#8220;N\u00e3o \u00e9 a Justi\u00e7a do Trabalho que n\u00e3o est\u00e1 aplicando os precedentes do Supremo. Na&nbsp;verdade, \u00e9 o STF que est\u00e1 invadindo a compet\u00eancia da Justi\u00e7a do Trabalho&#8221;, indica ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a advogada e professora, a confus\u00e3o ocorre porque a pejotiza\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 v\u00e1lida se n\u00e3o houver pessoalidade, habitualidade, subordina\u00e7\u00e3o e onerosidade.&nbsp;Se&nbsp;estiverem presentes tais&nbsp;requisitos, descritos na CLT,&nbsp;somente a Justi\u00e7a do Trabalho poder\u00e1 dizer se h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de emprego.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, a &#8220;transfer\u00eancia da responsabilidade do exerc\u00edcio de uma determinada atividade para outra empresa&#8221; \u00e9 plenamente poss\u00edvel. Mas, para que a terceiriza\u00e7\u00e3o seja v\u00e1lida, o prestador de servi\u00e7os n\u00e3o pode, por exemplo,\u00a0ter hor\u00e1rios e reuni\u00f5es a cumprir, ou mesmo obriga\u00e7\u00e3o de atender a determinados clientes, sem poder recusar. Nesses casos, considera-se que, na pr\u00e1tica, a terceiriza\u00e7\u00e3o n\u00e3o existiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, de acordo com Fab\u00edola, quando a Justi\u00e7a do Trabalho invalida uma terceiriza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 contesta\u00e7\u00e3o \u00e0 possibilidade de execu\u00e7\u00e3o da atividade-meio ou da atividade-fim da empresa. O que ocorre, na verdade, \u00e9 a constata\u00e7\u00e3o dos elementos que caracterizam a rela\u00e7\u00e3o de emprego regida pela CLT.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A Justi\u00e7a do Trabalho deve e a ela cabe, em cada reclama\u00e7\u00e3o trabalhista na qual&nbsp;se pede o v\u00ednculo de emprego, verificar se est\u00e3o presentes os requisitos da rela\u00e7\u00e3o de emprego&#8221;, explica o advogado, professor e&nbsp;procurador regional do Trabalho aposentado&nbsp;<strong>Raimundo Sim\u00e3o de Melo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mesmo que haja a alega\u00e7\u00e3o de um contrato de terceiriza\u00e7\u00e3o, de um contrato de&nbsp;advogado com uma sociedade de advogados, de uma pejotiza\u00e7\u00e3o ou de qualquer outra forma de trabalho, se verificar&nbsp;presentes os requisitos da rela\u00e7\u00e3o de emprego, a tend\u00eancia da Justi\u00e7a do Trabalho \u00e9 reconhecer o v\u00ednculo&#8221;, destaca ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o advogado, no entanto, &#8220;deve ser analisado cada caso concreto&#8221;, pois tanto a Justi\u00e7a do Trabalho quanto o STF podem cometer equ\u00edvocos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ricardo Calcini tamb\u00e9m aponta que muitos dos casos levados ao Supremo discutem &#8220;o v\u00ednculo empregat\u00edcio por conta de fraude&#8221;. Por isso, &#8220;n\u00e3o necessariamente se enquadram nos precedentes vinculativos&#8221; fixados pela corte.<\/p>\n\n\n\n<p>O advogado trabalhista&nbsp;<strong>L\u00edvio<\/strong>&nbsp;<strong>Enescu&nbsp;<\/strong>ressalta que &#8220;o debate no Supremo se d\u00e1 quanto \u00e0 discuss\u00e3o se a terceiriza\u00e7\u00e3o l\u00edcita da atividade-fim \u00e9 v\u00e1lida ou n\u00e3o&#8221;. J\u00e1 em casos julgados pelo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2023-abr-03\/contratacao-fraudulenta-afasta-tese-stfsobre-terceirizacao\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tribunal Superior do Trabalho<\/a>, discutiu-se a terceiriza\u00e7\u00e3o il\u00edcita, usada como fraude ao sistema celetista.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, &#8220;essas incurs\u00f5es no STF n\u00e3o podem permitir o reexame do que foi decidido pelos tribunais trabalhistas&#8221;. Recentemente, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo, teve o mesmo&nbsp;entendimento em decis\u00e3o monocr\u00e1tica (Rcl 61.438).<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda conforme Enescu,&nbsp;&#8220;a&nbsp;Justi\u00e7a do Trabalho guarda o seu lugar espec\u00edfico e de protagonista para julgar e processar as a\u00e7\u00f5es oriundas da rela\u00e7\u00e3o de trabalho&#8221;, como expresso no artigo 114 da Constitui\u00e7\u00e3o. &#8220;Qualquer tipo de subvers\u00e3o a essa poesia constitucional \u00e9 golpe&#8221;, completa ele.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o de Zanin, diga-se de passagem,&nbsp;n\u00e3o foi a \u00fanica. Oliva afirma que &#8220;as coisas j\u00e1 come\u00e7aram a mudar&#8221;.&nbsp;Ele lembra que&nbsp;a l\u00f3gica de manter decis\u00f5es trabalhistas reconhecedoras do v\u00ednculo de emprego com base nos requisitos da CLT tamb\u00e9m foi seguida recentemente pelos ministros&nbsp;Luiz Fux (Rcl 56.098 e Rcl 57.133) e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2023-jul-03\/nunes-marques-mantem-decisao-reconheceu-vinculo-corretor\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Kassio Nunes Marques<\/a>&nbsp;em decis\u00f5es monocr\u00e1ticas. J\u00e1 a ministra C\u00e1rmen L\u00facia&nbsp;votou nesse sentido na Rcl&nbsp;59.841, embora tenha ficado vencida no julgamento da 1\u00aa Turma.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desapego \u00e0 reforma<\/strong><br>Por outro lado, o advogado trabalhista&nbsp;<strong>Paulo Sergio Jo\u00e3o<\/strong>, professor da PUC-SP e da FGV, v\u00ea o TST &#8220;seguindo o padr\u00e3o de suas decis\u00f5es anteriores \u00e0&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2017\/lei\/l13467.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">reforma trabalhista<\/a>,&nbsp;que mantinham&nbsp;uma rejei\u00e7\u00e3o \u00e0s novas formas de rela\u00e7\u00f5es do trabalho&#8221;. A corte entende que &#8220;a prote\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista \u00e9 a \u00fanica capaz de oferecer garantias ao trabalhador&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o, no entanto, destaca que a reforma &#8220;transformou as rela\u00e7\u00f5es de trabalho&nbsp;ao permitir que o trabalhador, utilizando-se da autonomia da vontade, pudesse escolher a modalidade jur\u00eddica do contrato&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, o STF vem seguindo tal diretriz da reforma.\u00a0Assim,\u00a0&#8220;as diverg\u00eancias existentes entre os dois tribunais decorrem de uma vis\u00e3o mais protecionista do TST&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2023-set-01\/stf-jt-travam-guerra-terceirizacao-ou-vinculo-emprego\">ConJur<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos meses, o\u00a0Supremo Tribunal Federal e a Justi\u00e7a do Trabalho t\u00eam divergido frequentemente na pol\u00eamica sobre\u00a0terceiriza\u00e7\u00f5es, pejotiza\u00e7\u00f5es e outros tipos de contrato de trabalho n\u00e3o regidos pela CLT. 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