{"id":86844,"date":"2024-01-30T15:05:01","date_gmt":"2024-01-30T18:05:01","guid":{"rendered":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/?p=86844"},"modified":"2024-01-30T15:05:03","modified_gmt":"2024-01-30T18:05:03","slug":"dono-de-imovel-nao-responde-por-debito-de-condominio-anterior-a-usucapiao-diz-stj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/dono-de-imovel-nao-responde-por-debito-de-condominio-anterior-a-usucapiao-diz-stj\/","title":{"rendered":"Dono de im\u00f3vel n\u00e3o responde por d\u00e9bito de condom\u00ednio anterior a usucapi\u00e3o, diz STJ"},"content":{"rendered":"\n<p>A d\u00edvida condominial \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o\u00a0<em>propter rem\u00a0<\/em>(na qual o titular do direito sobre uma coisa passa a ser devedor da presta\u00e7\u00e3o que n\u00e3o foi paga pelo antigo propriet\u00e1rio), o que imp\u00f5e sua transmiss\u00e3o ao novo propriet\u00e1rio do im\u00f3vel. Contudo, se o bem foi adquirido por usucapi\u00e3o, essa forma de aquisi\u00e7\u00e3o prevalece sobre o car\u00e1ter\u00a0<em>propter rem<\/em>\u00a0do d\u00e9bito. Nesse caso, o atual possuidor n\u00e3o responde pela d\u00edvida deixada pelo antigo dono.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo esse entendimento, a 3\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, por maioria de votos, confirmou decis\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJ-SP) que desconstituiu uma penhora promovida para a execu\u00e7\u00e3o de d\u00e9bitos condominiais.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso teve in\u00edcio com uma a\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o ajuizada por um condom\u00ednio para cobrar taxas que o dono de um im\u00f3vel deixou de pagar entre 1997 e 2000. A cobran\u00e7a levou \u00e0 penhora do bem em 2019. Ocorre que, em 2004, duas pessoas passaram a exercer a posse da unidade por usucapi\u00e3o \u2014 que foi oficializada em 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Informados sobre a penhora, os atuais propriet\u00e1rios entraram com embargos pedindo que o procedimento fosse desfeito. Eles alegaram que a d\u00edvida referente \u00e0 penhora era anterior \u00e0 posse por usucapi\u00e3o \u2014 que \u00e9 considerada modo origin\u00e1rio de aquisi\u00e7\u00e3o, no qual n\u00e3o h\u00e1 a transmiss\u00e3o do bem, nem v\u00ednculo entre o propriet\u00e1rio atual e o anterior. A tese foi acolhida em primeira grau e confirmada na segunda inst\u00e2ncia. O condom\u00ednio recorreu.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sem \u00f4nus<\/strong><br>Respons\u00e1vel por relatar a apela\u00e7\u00e3o no STJ, a ministra Nancy Andrighi analisou se a d\u00edvida \u00e9 de responsabilidade da pessoa que det\u00e9m o poder de fato sobre o im\u00f3vel, mesmo que ela se refira a taxas anteriores \u00e0 posse por usucapi\u00e3o, conforme sustentou o condom\u00ednio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida, ela destacou que d\u00edvidas do tipo s\u00e3o obriga\u00e7\u00f5es&nbsp;<em>propter rem<\/em>. Por\u00e9m, prosseguiu a ministra, para que a responsabilidade pelo d\u00e9bito seja transmitida a quem adquire o im\u00f3vel, \u00e9 preciso que ocorra a aliena\u00e7\u00e3o do bem na forma de \u201caquisi\u00e7\u00e3o derivada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Como no caso dos autos n\u00e3o houve a aliena\u00e7\u00e3o, n\u00e3o houve tamb\u00e9m um \u201cdeslocamento\u201d de direito. Assim, o que se deu foi a extin\u00e7\u00e3o do direito anterior e o \u201cnascimento de um in\u00e9dito direito de propriedade\u201d. Diante disso, ela deu raz\u00e3o aos atuais propriet\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA aquisi\u00e7\u00e3o da propriedade pela usucapi\u00e3o opera de maneira origin\u00e1ria, extinguindo-se todos os \u00f4nus que gravavam o bem. N\u00e3o h\u00e1, pois, qualquer aliena\u00e7\u00e3o apta a justificar a incid\u00eancia\u201d, concluiu a ministra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Isen\u00e7\u00e3o questionada<br><\/strong>O ministro Moura Ribeiro abriu a diverg\u00eancia. Em voto-vista, ele reconheceu que a maioria dos especialistas considera a usucapi\u00e3o uma forma de aquisi\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria. O magistrado, no entanto, lembrou que h\u00e1 autores que classificam tal modalidade como forma derivada de aquisi\u00e7\u00e3o \u2014 \u00e9 o caso do jurista Caio M\u00e1rio da Silva Pereira (1913-2004).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDe qualquer maneira, mesmo aceitando-se ser modalidade de aquisi\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria, imp\u00f5e-se considerar que isso n\u00e3o produz isen\u00e7\u00e3o total, livrando o bem usucapido de todos os gravames, indistintamente\u201d, anotou Moura Ribeiro ao votar por dar provimento ao recurso do condom\u00ednio. Ele foi acompanhando pelo ministro Marco Aur\u00e9lio Bellizze. Votaram com a relatora, por\u00e9m, os ministros Ricardo Villas B\u00f4as Cueva e Humberto Martins.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Clique\u00a0<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/stj_usucapiao_divida.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui<\/a>\u00a0para ler a decis\u00e3o<\/strong><br><strong>RE 2.051.106-SP<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2024-jan-26\/dono-de-imovel-nao-responde-por-debito-de-condominio-anterior-a-usucapiao-diz-stj\/\">ConJur<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A d\u00edvida condominial \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o\u00a0propter rem\u00a0(na qual o titular do direito sobre uma coisa passa a ser devedor da presta\u00e7\u00e3o que n\u00e3o foi paga pelo antigo propriet\u00e1rio), o que imp\u00f5e sua transmiss\u00e3o ao novo propriet\u00e1rio do im\u00f3vel. 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