{"id":86864,"date":"2024-02-01T17:00:29","date_gmt":"2024-02-01T20:00:29","guid":{"rendered":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/?p=86864"},"modified":"2024-02-01T17:02:53","modified_gmt":"2024-02-01T20:02:53","slug":"uniao-tera-de-adequar-formularios-do-cpf-para-incluir-diversos-generos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/uniao-tera-de-adequar-formularios-do-cpf-para-incluir-diversos-generos\/","title":{"rendered":"Uni\u00e3o ter\u00e1 de adequar formul\u00e1rios do CPF para incluir diversos g\u00eaneros"},"content":{"rendered":"\n<p>A Uni\u00e3o foi condenada a, no prazo de 180 dias, promover a adequa\u00e7\u00e3o de seus formul\u00e1rios relacionados ao cadastramento\/retifica\u00e7\u00e3o de CPFs de pessoas LGBTQIA+. A medida visa a reconhecer a multiplicidade de arranjos familiares e de identidades de g\u00eanero, bem como a condi\u00e7\u00e3o de intersexualidade. A decis\u00e3o da ju\u00edza federal Anne Karina Stipp Amador Costa, da 5\u00aa Vara Federal de Curitiba, foi tomada em sede de a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica movida por entidades de defesa da diversidade sexual e de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os autores da ACP, imp\u00f5e-se salvaguardar o direito que afeta todas as fam\u00edlias de parentalidade homotransafetivas, ou seja, as fam\u00edlias formadas por pessoas LGBTQIA+, a fim de terem sua forma\u00e7\u00e3o familiar \u00e0 luz de sua orienta\u00e7\u00e3o sexual, identidade de g\u00eanero e condi\u00e7\u00e3o de intersexo respeitadas pela Receita Federal do Brasil (RFB) quando do cadastramento do CPF, bem como fam\u00edlias com v\u00ednculos socioafetivos.<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o pretende adequar a atua\u00e7\u00e3o da RFB a fim de cadastrar pessoas pela filia\u00e7\u00e3o, a exemplo de outros \u00f3rg\u00e3os federais, em vez do atual cadastramento que se limita ao nome da m\u00e3e, bem como com o respeito ao nome social, \u00e0 identidade de g\u00eanero e \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de intersexo, alegando que o \u00f3rg\u00e3o tem feito o cadastramento do CPF ainda calcado em uma l\u00f3gica de uma ideologia de g\u00eanero heterocisnormativa, pressupondo a exist\u00eancia de uma m\u00e3e no v\u00ednculo familiar, o que n\u00e3o ocorre, por exemplo, com crian\u00e7as com dois pais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Decis\u00e3o<\/strong><br>Em sua decis\u00e3o, a magistrada frisou o reconhecimento do Supremo Tribunal Federal da uni\u00e3o homoafetiva como n\u00facleo familiar, impondo-se tratamento igualit\u00e1rio ao da uni\u00e3o heteroafetiva.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 flagrante o dever do Estado de reconhecer as rela\u00e7\u00f5es homoafetivas, e consequentemente, a parentalidade homoafetiva, nos mais variados planos de atua\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, a disponibiliza\u00e7\u00e3o de campos de dados permitindo a declara\u00e7\u00e3o de tais situa\u00e7\u00f5es, em documentos\/cadastros p\u00fablicos, n\u00e3o representa formalismo, mas express\u00e3o de tratamento digno e ison\u00f4mico, sem discriminar a orienta\u00e7\u00e3o sexual dos indiv\u00edduos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm respeito \u00e0 dignidade humana, princ\u00edpio fundamental aos direitos da personalidade, de igualdade, de liberdade e de autodetermina\u00e7\u00e3o, a Uni\u00e3o deve adequar seus formul\u00e1rios relacionados ao cadastramento\/retifica\u00e7\u00e3o de CPF, observando a multiplicidade de arranjos familiares e de identidades de g\u00eanero, bem como a exist\u00eancia da condi\u00e7\u00e3o de intersexualidade\u201d, complementou Anne Karina Costa.<\/p>\n\n\n\n<p>A ju\u00edza federal destacou ainda que tais adequa\u00e7\u00f5es j\u00e1 foram feitas pela Pol\u00edcia Federal e pelos cart\u00f3rios quando da lavratura da certid\u00e3o de nascimento, o que evidencia a necessidade de adequa\u00e7\u00e3o do CPF, documento que goza de centralidade e import\u00e2ncia na vida do cidad\u00e3o brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>No documento, a Uni\u00e3o deve substituir o campo \u201cnome da m\u00e3e\u201d pelo campo \u201cfilia\u00e7\u00e3o\u201d; incluir as op\u00e7\u00f5es \u201cn\u00e3o especificado\u201d, \u201cn\u00e3o bin\u00e1rio\u201d e \u201cintersexo\u201d no campo sexo; e garantir o direito de quaisquer interessados \u00e0 retifica\u00e7\u00e3o desses dados.<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica foi movida pelos seguintes \u00f3rg\u00e3os e entidades: Alian\u00e7a Nacional LGBTI+; Grupo Dignidade; Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Fam\u00edlias Homotransafetivas (ABRAFH); Associa\u00e7\u00e3o Brasileira Intersexos (Abrai); Centro de Acolhida e Cultura Casa 1; Articula\u00e7\u00e3o Nacional das Transg\u00eaneros (ANTRA); Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o (DPU); e Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF). Figura como&nbsp;<em>amicus curiae<\/em>&nbsp;a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Juristas pelos Direitos Humanos de L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transg\u00eaneros e Intersexuais (ANAJUDH).&nbsp;<em>Com informa\u00e7\u00f5es da assessoria de comunica\u00e7\u00e3o do TRF-4.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: ConJur<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Uni\u00e3o foi condenada a, no prazo de 180 dias, promover a adequa\u00e7\u00e3o de seus formul\u00e1rios relacionados ao cadastramento\/retifica\u00e7\u00e3o de CPFs de pessoas LGBTQIA+. A medida visa a reconhecer a multiplicidade de arranjos familiares e de identidades de g\u00eanero, bem como a condi\u00e7\u00e3o de intersexualidade. 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