{"id":87374,"date":"2024-05-17T13:37:43","date_gmt":"2024-05-17T16:37:43","guid":{"rendered":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/?p=87374"},"modified":"2024-05-17T13:37:45","modified_gmt":"2024-05-17T16:37:45","slug":"tst-valida-geolocalizacao-como-prova-digital-de-jornada-de-trabalhador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/tst-valida-geolocalizacao-como-prova-digital-de-jornada-de-trabalhador\/","title":{"rendered":"TST valida geolocaliza\u00e7\u00e3o como prova digital de jornada de trabalhador"},"content":{"rendered":"\n<p>A prova ficar\u00e1 limitada aos hor\u00e1rios alegados pelo trabalhador, e o processo ficar\u00e1 em segredo de justi\u00e7a<\/p>\n\n\n\n<p>Por maioria de votos, a Subse\u00e7\u00e3o II Especializada em Diss\u00eddios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho cassou liminar que impedia que o Banco Santander S.A. utilizasse prova digital de geolocaliza\u00e7\u00e3o para comprovar jornada de um banc\u00e1rio de Est\u00e2ncia Velha (RS). Segundo o colegiado, a prova \u00e9 adequada, necess\u00e1ria e proporcional e n\u00e3o viola o sigilo telem\u00e1tico e de comunica\u00e7\u00f5es garantido na Constitui\u00e7\u00e3o Federal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Geolocaliza\u00e7\u00e3o mostraria se banc\u00e1rio estava na ag\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Numa a\u00e7\u00e3o trabalhista ajuizada em 2019, o banc\u00e1rio &#8211; que trabalhou 33 anos no Santander &#8211; pedia o pagamento de horas extras. Ao se defender, o banco disse que o empregado ocupava cargo de ger\u00eancia e, portanto, n\u00e3o estava sujeito ao controle de jornada. Por isso, pediu ao ju\u00edzo da 39\u00aa Vara do Trabalho de Est\u00e2ncia Velha a produ\u00e7\u00e3o de provas de sua geolocaliza\u00e7\u00e3o nos hor\u00e1rios em que ele indicava estar fazendo horas extras, para comprovar \u201cse de fato estava ao menos nas depend\u00eancias da empresa\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O banc\u00e1rio protestou, mas o pedido foi deferido. O ju\u00edzo de primeiro grau determinou que ele informasse o n\u00famero de seu telefone e a identifica\u00e7\u00e3o do aparelho (IMEI) para oficiar as operadoras de telefonia e, caso n\u00e3o o fizesse, seria aplicada a pena de confiss\u00e3o (quando, na aus\u00eancia da manifesta\u00e7\u00e3o de uma das partes, as alega\u00e7\u00f5es da outra s\u00e3o tomadas como verdadeiras).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Trabalhador alegou viola\u00e7\u00e3o de privacidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Contra essa determina\u00e7\u00e3o, o banc\u00e1rio impetrou mandado de seguran\u00e7a no Tribunal Regional do Trabalho da 4\u00aa Regi\u00e3o (RS) contra a determina\u00e7\u00e3o, alegando viola\u00e7\u00e3o do seu direito \u00e0 privacidade, \u201csobretudo porque n\u00e3o houve ressalva de hor\u00e1rios, finais de semana ou feriados\u201d. &nbsp;Na avalia\u00e7\u00e3o do trabalhador, o banco tinha outros meios de provar sua jornada, sem constranger sua intimidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O Santander, por sua vez, sustentou que a geolocaliza\u00e7\u00e3o se restringiria ao hor\u00e1rio em que o empregado afirmou que estaria prestando servi\u00e7os. Portanto, n\u00e3o haveria viola\u00e7\u00e3o \u00e0 intimidade, pois n\u00e3o se busca o conte\u00fado de di\u00e1logos e textos. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O TRT cassou a decis\u00e3o, levando o banco a recorrer ao TST.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para relator, n\u00e3o h\u00e1 quebra de sigilo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O ministro Amaury Rodrigues, relator do recurso, considerou a geolocaliza\u00e7\u00e3o do aparelho celular adequada como prova, porque permite saber onde estava o trabalhador durante o alegado cumprimento da jornada de trabalho por meio do monitoramento de antenas de r\u00e1dio-base. A medida \u00e9 proporcional, por ser feita com o menor sacrif\u00edcio poss\u00edvel ao direito \u00e0 intimidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro lembrou que a dilig\u00eancia coincide exatamente com o local onde o pr\u00f3prio trabalhador afirmou estar, e s\u00f3 se poderia cogitar em viola\u00e7\u00e3o da intimidade se as alega\u00e7\u00f5es n\u00e3o forem verdadeiras. Quanto \u00e0 legalidade da prova, o relator destacou que n\u00e3o h\u00e1 viola\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o, e sim de geolocaliza\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o foram ouvidas grava\u00e7\u00f5es nem conversas\u201d, ressaltou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Justi\u00e7a do Trabalho capacita ju\u00edzes para usar provas digitais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em seu voto, o ministro lembra que a Justi\u00e7a do Trabalho capacita os ju\u00edzes para o uso de tecnologias e utiliza um sistema (Veritas) de tratamento dos relat\u00f3rios de informa\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 geolocaliza\u00e7\u00e3o, em que os dados podem ser utilizados como prova digital para provar, por exemplo, v\u00ednculo de trabalho e itiner\u00e1rio ou mapear eventuais \u201claranjas\u201d na fase de execu\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDesenvolver sistemas e treinar magistrados no uso de tecnologias essenciais para a edifica\u00e7\u00e3o de uma sociedade que cumpra a promessa constitucional de ser mais justa, para depois censurar a produ\u00e7\u00e3o dessas mesmas provas, seria uma enorme incoer\u00eancia\u201d, observou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Leis respaldam a medida<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda, segundo o relator, a produ\u00e7\u00e3o de prova digital \u00e9 amparada por diversos ordenamentos jur\u00eddicos, tanto de tribunais internacionais como por leis brasileiras, como a Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados Pessoais, a Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o e o Marco Civil da Internet, que possibilitam o acesso a dados pessoais e informa\u00e7\u00e3o para defesa de interesses em ju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Corrente vencida defende medidas menos invasivas em primeiro lugar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ficaram vencidos os ministros Aloysio Corr\u00eaa da Veiga e Dezena da Silva e a desembargadora convocada Margareth Rodrigues Costa. Para Veiga, a prova de geolocaliza\u00e7\u00e3o deve ter ser subsidi\u00e1ria, e n\u00e3o principal. No caso, ela foi admitida como primeira prova processual, havia outros meios menos invasivos de provar as alega\u00e7\u00f5es do empregado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na sua avalia\u00e7\u00e3o, as vantagens da medida para provar a jornada n\u00e3o superam as suas desvantagens. \u201cA banaliza\u00e7\u00e3o dessa prova de forma corriqueira ou como primeira prova viola o direito \u00e0 intimidade\u201d, concluiu\u201d. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>(Ricardo Reis\/CF)<\/p>\n\n\n\n<p>PROCESSO N\u00ba TST-ROT-<a href=\"https:\/\/consultaprocessual.tst.jus.br\/consultaProcessual\/consultaTstNumUnica.do?consulta=Consultar&amp;conscsjt=&amp;numeroTst=23218&amp;digitoTst=21&amp;anoTst=2023&amp;orgaoTst=5&amp;tribunalTst=04&amp;varaTst=0000&amp;submit=Consultar\">23218-21.2023.5.04.0000<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/tst.jus.br\/-\/tst-valida-geolocaliza%C3%A7%C3%A3o-como-prova-digital-de-jornada-de-banc%C3%A1rio\">STS<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A prova ficar\u00e1 limitada aos hor\u00e1rios alegados pelo trabalhador, e o processo ficar\u00e1 em segredo de justi\u00e7a Por maioria de votos, a Subse\u00e7\u00e3o II Especializada em Diss\u00eddios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho cassou liminar que impedia que o Banco Santander S.A. utilizasse prova digital de geolocaliza\u00e7\u00e3o para comprovar jornada de um banc\u00e1rio de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":87375,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[55,47],"tags":[],"class_list":["post-87374","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticia","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87374"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=87374"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87374\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":87376,"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87374\/revisions\/87376"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/87375"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=87374"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=87374"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=87374"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}