{"id":90163,"date":"2026-04-24T10:57:54","date_gmt":"2026-04-24T13:57:54","guid":{"rendered":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/?p=90163"},"modified":"2026-04-24T10:57:54","modified_gmt":"2026-04-24T13:57:54","slug":"recibo-de-compra-e-venda-do-imovel-pode-servir-como-justo-titulo-em-acao-de-usucapiao-ordinaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnr.org.br\/site\/recibo-de-compra-e-venda-do-imovel-pode-servir-como-justo-titulo-em-acao-de-usucapiao-ordinaria\/","title":{"rendered":"Recibo de compra e venda do im\u00f3vel pode servir como justo t\u00edtulo em a\u00e7\u00e3o de usucapi\u00e3o ordin\u00e1ria"},"content":{"rendered":"\n<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu, por unanimidade, que o recibo de compra e venda de im\u00f3vel pode ser considerado justo t\u00edtulo e viabilizar a modalidade de&nbsp;usucapi\u00e3o&nbsp;prevista no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1242\">artigo 1.242 do C\u00f3digo Civil (CC)<\/a>. Para o colegiado, a exig\u00eancia legal de justo t\u00edtulo deve ser interpretada de modo a alcan\u00e7ar situa\u00e7\u00f5es em que estejam presentes elementos suficientes para demonstrar a inequ\u00edvoca inten\u00e7\u00e3o das partes de transmitir a propriedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Na origem, uma mulher ajuizou a\u00e7\u00e3o de&nbsp;usucapi\u00e3o&nbsp;ordin\u00e1ria, alegando ser possuidora de um im\u00f3vel adquirido em 2014, conforme demonstrado por recibo de compra e venda. Disse ter fixado resid\u00eancia no local e exercido a posse mansa, pac\u00edfica e ininterrupta do im\u00f3vel por mais de sete anos, o que preencheria os requisitos do artigo 1.242 do CC.<\/p>\n\n\n\n<p>O Tribunal de Justi\u00e7a de Sergipe (TJSE), no entanto, entendeu que o recibo de compra e venda, por si s\u00f3, n\u00e3o se enquadra no conceito de justo t\u00edtulo, requisito indispens\u00e1vel \u00e0&nbsp;usucapi\u00e3o&nbsp;ordin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Direito \u00e0&nbsp;usucapi\u00e3o&nbsp;se consolida quando implementadas as exig\u00eancias legais<\/h2>\n\n\n\n<p>A ministra Nancy Andrighi, relatora do recurso no STJ, observou que a a\u00e7\u00e3o de&nbsp;usucapi\u00e3o&nbsp;se destina ao reconhecimento de um direito de propriedade j\u00e1 adquirido com o preenchimento dos requisitos legais, de modo que o registro da&nbsp;senten\u00e7a&nbsp;apenas formaliza essa situa\u00e7\u00e3o. Assim, segundo ela, o direito de quem requer a&nbsp;usucapi\u00e3o&nbsp;se consolida quando s\u00e3o implementadas as exig\u00eancias legais, pois a decis\u00e3o judicial \u00e9 meramente declarat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da&nbsp;usucapi\u00e3o&nbsp;ordin\u00e1ria \u2013 explicou \u2013, exige-se apenas a posse mansa, pac\u00edfica e cont\u00ednua por dez anos, al\u00e9m da presen\u00e7a de justo t\u00edtulo e boa-f\u00e9, mas o prazo pode ser reduzido para cinco anos quando o im\u00f3vel tiver sido adquirido onerosamente com base em registro cartor\u00e1rio, ainda que posteriormente cancelado, e desde que o possuidor tenha estabelecido no local sua moradia ou feito investimentos de relevante interesse social e econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Justo t\u00edtulo n\u00e3o se restringe \u00e0 documenta\u00e7\u00e3o de transfer\u00eancia formalmente perfeita<\/h2>\n\n\n\n<p>Nancy Andrighi ressaltou que o requisito do justo t\u00edtulo deve ser interpretado de forma extensiva, abrangendo situa\u00e7\u00f5es em que, mesmo sem a formalidade necess\u00e1ria para a transfer\u00eancia da propriedade, haja elementos capazes de demonstrar a inten\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca de transmiti-la, em conson\u00e2ncia com a fun\u00e7\u00e3o social da propriedade e o direito fundamental \u00e0 moradia.<\/p>\n\n\n\n<p>A ministra ponderou que o conceito de justo t\u00edtulo n\u00e3o deve se restringir \u00e0 documenta\u00e7\u00e3o formalmente perfeita de transfer\u00eancia da propriedade, sob pena de esvaziar a utilidade da&nbsp;usucapi\u00e3o&nbsp;ordin\u00e1ria, que perderia sua raz\u00e3o de ser diante de instrumentos como a adjudica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao dar&nbsp;provimento&nbsp;ao recurso, a relatora concluiu que o recibo de compra e venda, embora pare\u00e7a insuficiente se considerado isoladamente, pode servir para demonstrar a inten\u00e7\u00e3o de transmiss\u00e3o da propriedade.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/julgamento\/eletronico\/documento\/mediado\/?documento_tipo=integra&amp;documento_sequencial=363215539&amp;registro_numero=202404593650&amp;peticao_numero=&amp;publicacao_data=20260313&amp;formato=PDF\">Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no REsp 2.215.421<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.stj.jus.br\/sites\/portalp\/Paginas\/Comunicacao\/Noticias\/2026\/24042026-Recibo-de-compra-e-venda-do-imovel-pode-servir-como-justo-titulo-em-acao-de-usucapiao-ordinaria.aspx\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.stj.jus.br\/sites\/portalp\/Paginas\/Comunicacao\/Noticias\/2026\/24042026-Recibo-de-compra-e-venda-do-imovel-pode-servir-como-justo-titulo-em-acao-de-usucapiao-ordinaria.aspx\">Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social STJ<\/a><br><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu, por unanimidade, que o recibo de compra e venda de im\u00f3vel pode ser considerado justo t\u00edtulo e viabilizar a modalidade de&nbsp;usucapi\u00e3o&nbsp;prevista no&nbsp;artigo 1.242 do C\u00f3digo Civil (CC). 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